Historia de João Sem Medo, referências para apresentação.
Era uma vez um rapaz chamado João. E esse João não tinha medo de nada. Podia aparecer saci, cuca, mula-sem-cabeça, lobisomem... que ele não tinha medo. Por isso era conhecido como João Sem Medo.
Ele andava por todo lado a procura de alguma coisa para ter medo. Só que ele não encontrava. Até que ele ouviu falar de um lugar, aqui perto, onde tinha uma casa mal assombrada. Quem dormisse nessa casa amanhecia ou morto ou maluco. Era certo isso!
Pois o João foi até a rua onde ficava a tal casa e se informou com os moradores:
- É verdade que nessa rua tem uma casa que quem dorme lá amanhecesse ou morto ou maluco?
- É verdade verdadeira! É aquela casa ali!
E um dos moradores mostrou a casa a João. Era uma casa feia, escura e sombria. O João coçou a cabeça e falou assim:
- Pois olhe, que eu vou dormir lá hoje!
E os moradores tentaram tirar essa idéia maluca da cabeça do João:
- Que é isso, rapaz? Faça isso não!
- O senhor ainda é novo!
- Pode morrer... Pode ficar maluco!
Mas o João falou bem alto pra quem quisesse ouvir:
- Pois olhe, eu aposto com vocês que eu vou dormir nessa casa hoje e não vai me acontecer nada!
Quando os moradores ouviram a palavra “aposto” logo se interessaram. Juntaram o dinheiro da aposta e deram na mão de uma velha para ela tomar conta. Tudo arrumado, João Sem Medo foi até a tal casa. Nisso já estava anoitecendo. João entrou na casa. Era uma casa grande. Escura. Sombria. Cheia de teias de aranha. João foi entrando. Na casa tinham vários salões grandes. Um maior do que o outro. Até que ele chegou no maior de todos os salões. Bem no meio do salão tinha um sofá grande. João olhou e achou que aquele sofá era o local ideal para ele dormir. João Sem Medo deitou e dormiu.
Daí a pouco deu meia noite e o vento começou a soprar. Um sopro sinistro. Uuuuuuuuh! E lá de cima do teto, sabe se lá como, veio um grito terrível. Aaaaaah! Mas João não ficou com medo não. Foi logo falando assim:
- Oh, rapaz, não tem o que fazer não? Fica aí gritando! Assustando o povo! Vai procurar o quê fazer!
E lá do teto veio uma voz sinistra que dizia assim:
- Eu caio! Eu caio! Eu caio!
Assim mesmo. Repetiu três vezes. Mas João não ficou com medo não. Foi logo falando assim:
- E eu tenho medo disso rapaz? Cai logo e me deixa dormir!
Ele falou isso e caiu mesmo. Dois braços brancos caíram do teto, sabe se lá como. Caíram e ficaram enroscados no meio da sala. Mas João não ficou co medo não:
- Olha só: dois braços! E eu tenho medo de braço agora? Ficou até bonito! Uma escultura para enfeitar a casa! Eu vou dormir que é melhor!
João voltou a dormir e o vento voltou a soprar. Uuuuuuuuuuh! E lá do teto veio de novo aquela voz sinistra que dizia assim:
- Eu caio! Eu caio! Eu caio!
De novo repetiu três vezes. Mas João não ficou com medo não. Foi logo falando assim:
- Ó, rapaz, você gosta de anunciar, hein? Devia trabalhar em loja! Cai logo, pelo amor de Deus!
Ele falou isso e caiu mesmo. Duas pernas brancas caíram do teto, sabe se lá como. Caíram e se embolaram com os braços no meio da sala. Mas João não ficou com medo não:
- Olha só: duas pernas! E eu tenho medo de perna, por um acaso? Ficou ainda mais bonito! A escultura está aumentando! Está enfeitando mais a casa! Eu vou dormir que é melhor!
João voltou a dormir e o vento voltou a soprar mais forte. Uuuuuuuuh! E lá do teto veio de novo aquela voz terrível que dizia assim:
- Eu caio! Eu caio! Eu caio!
Aí o João se aborreceu:
- Ó, rapaz, mas vai cair a prestação? Cai logo inteiro, pelo amor de Deus!
O João falou isso e caiu mesmo. Caiu cabeça, caiu tronco. Aquilo foi juntando no meio da sala. Juntou cabeça com tronco, juntou perna, juntou braço – fez um bonecão grande e branco que foi andando todo desengonçado para cima do João. Mas ele não ficou com medo não:
- O que é isso, rapaz? Parece que está dançando. Isso não é hora de dançar! Vai procurar um baile!
O bonecão então se transformou num fantasma branco, grande. O fantasma olhou para o João com aquela cara horrível e deu um sorriso. O João estranhou:
- Está rindo de mim, palhaço?
E o fantasma falou assim:
- Muito obrigado. Eu estava aqui enfeitiçado por uma bruxa e o senhor me libertou! Eu quero lhe dar um presente!
O fantasma estendeu a mão e o João pegou naquela mão fria do fantasma. E a assombração foi puxando o João... Foi puxando... E o levou até o quintal da casa. Era um quintal grande. Cheio de árvores secas e retorcidas. No meio do quintal ficava a maior árvore. Toda seca e retorcida. O fantasma levou o João até lá, apontou para o chão e PUFF! Sumiu. E o rapaz falou assim:
- Esse camarada apontou para o chão? Ele quer que eu cave esse chão e eu vou cavar!
Ele pegou uma pá e começou a cavar. Cavou. Cavou. Até que bateu numa coisa dura. Cavou mais e começou a puxar. E lá de dentro saiu um caixão de defunto preto e grande. O João abriu o caixão e lá dentro encontrou um tesouro: ouro, prata, pedras preciosas. O rapaz estava rico. Nisso o dia foi amanhecendo e os moradores da rua já estavam lá na porta da casa achando que o João tinha morrido ou ficado maluco. Mas ele apareceu na varanda todo pimpão. E o João Sem Medo venceu a aposta. Juntou o tesouro com o dinheiro da aposta e ficou mais rico ainda. Comprou a casa. Mandou reformar e diz que ele está morando lá até hoje! E acabou a história!
Adaptação de Augusto Pessôa
In BÁ E AS VISAGENS
Editora Escrita Fina
PLANO DE CENA.
CENA: Pessoa de terno(coach ou pastor) durante uma palestra com a história do João sem medo e como ele enriqueceu na vida
AGENTE: jovem hiperativo surtado e pouco agressivo conta a história.
AÇÃO: Na frente de uma câmera, com uma plateia de fundo, só os sons como stand up. O coach faz discurso sobre riqueza com uma história absurda
OBJETOS: um microfone capenga para a comunicação, blusa social verde e óculos escuro
SONS: Ambientes, Sons de plateia, Instrumentais motivacionais, épicos e tristes
TEXTOS: JOÃO SEM MEDO(Adaptação de Augusto PessôaIn BÁ E AS VISAGENS Editora Escrita Fina)







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